sexta-feira, 27 de abril de 2012

Racismo e Preconceito no Humor (Brasil).

Olá senhoras e senhores.
Me aprofundando mais nos assuntos de Preconceitos raciais, sociais, regionais e afins, gostaria de trazer através deste novo artigo a questão do preconceito e do racismo no humor brasileiro.

O Brasil tem passado por um crescimento muito grande do humor, que é também uma forma de expressão que muitas das vezes "passa dos limites" e muitos alegam a liberdade de expressão.
Temos uma "discussão" sobre o limite do humor, em relação ao politicamente correto, ao preconceito, ao feminismo, machismo e por aí afora. Leiam o artigo do CC:

(...) Pois nas duas últimas semanas, jornais, revistas, sites de entretenimento e pensadores contemporâneos em 140 caracteres fizeram mais ou menos o mesmo que a TV Pirata nos anos 1980. Colocaram  piadas em debate. Primeiro, por causa do tal humor “proibidão”, evento promovido por uma casa de shows em São Paulo que obrigava o espectador a pagar 60 reais na entrada mais a assinatura de um termo se comprometendo, de antemão, a não se ofender com piadas sobre negros, gays e deficientes. Os tempos são outros: tempos em que se desconfia até mesmo do bom humor da plateia.
A história não poderia acabar bem: um tecladista (que não assinou o termo) foi chamado de macaco, chamou a polícia, o barraco se armou e a piada entrou em debate. Quando a história ainda esfriava, chega a notícia da morte de Chico Anysio, o grande comediante que o País já viu nascer. Não demora e uma turma, ao comentar a morte do ídolo, se ressente: bons eram os tempos em que ele fazia suas piadas e ninguém patrulhava, ninguém se ofendia. E lembravam dos Trapalhões, contemporâneos de Chico, para citar outro exemplo de humor inteligente e não-patrulhado, ingênuo até.Os tempos eram outros e o que era aceito socialmente aceito estava – pouco por má-fé, muito por ignorância. Poucos vinham a público dizer “chega”. Mas havia. Numa entrevista antiga, Renato Russo, líder da Legião Urbana, se queixava justamente do teor de piadas que pipocavam naquela época na televisão e que reforçava, segundo ele, o estereótipo da “bichinha louca” – indiscreta, pervertida, tarada. Era um atraso, dizia. Não foi ouvido, e a inteligência que restava em programas como “TV Pirata” se dissolvia ano a ano por meio das velhas brincadeiras (...) E a piada, de novo, entrava em debate: quais os limites (do humor e da patrulha)? E tome chiadeira geral, parte dela em defesa do rapaz que diz não se importar em ser chamado de “girafa” – o que o autorizaria a chamar os negros de macaco sem grandes constrangimentos.
Mal descansou e Chico Anysio vinha à tona, citado por saudosos em defesa dos bons e dos maus, seja lá de que lado cada qual estivesse: no tempo dele podia, e era aceito. (...) e importar ao ver alguém no palco (ou na tevê) chutando pobres, mulheres, deficientes, homossexuais…porque é bem provável que não haja pobres, mulheres, deficientes e homossexuais na plateia. Mas, para azar do comediante, a piada hoje não se restringe a seu público: ela vaza para outros meios e causam indignação. É parte do jogo. Por que o mundo ficou mais chato?  Não: porque o mundo mudou. Duvido que alguma mulher visse graça, nos anos 80 e 90, ao ser retratada como a “loraburra”, ingênua, interesseira, manhosa. Hoje, basta ligar a tevê para ver que esse retrato não evoluiu. Mas as mulheres sim: elas deixaram a submissão do lar, ganharam espaço no mercado, na patota dos formadores de opinião e também nos espaços públicos e políticos. Tornaram-se lideranças, e se elegeram para prefeituras, governos de estado e Presidência da República. Por isso não só não veem graça nas brincadeiras sexistas como reagem à altura: “mulherzinha o escambau”. A indignação é a mesma, mas a reação, não: hoje elas são ouvida, gostem-se ou não os comediantes. Os tempos são outros.
Da mesma forma, negros e gays ganharam espaço, reafirmaram orgulhos, foram à luta. Saem de cena os subalternos retirados da escravidão ou das condenações morais (e medievais), que chamavam o coronel de doutor, e entram os líderes de uma batalha constante, árdua, sofrida e ainda incompleta. Pedem respeito, conquistado na marra, e avançam: chegam às ruas, repartições e universidades sem vergonha do vácuo entre o que são e o que querem que sejam. Só não chegaram às plateias de humor rançoso e moderninho. Ninguém gosta de pagar para ser esculhambado.“Ah, então fazer piada com português pode e com negro, não?”, gritam comediantes e plateias ofendidos com as ofensas.
Poder pode. Mas experimenta fazer piada de português à brasileira em Portugal. De toda forma, parece muito fácil fazer piada chutando quem imaginamos estar longe da roda – e não pode reagir. O que leva a pensar que o humor “proibidão” não é nada mais do que covarde. E o humor covarde só existe porque existe covardia na plateia – ela toda saudosa dos tempos em que podia dizer o que quisesse sobre negros e gays: eles estavam longe, amarrados ou calados. E maltratar, a sério ou nas piadas, todas as minorias que mal ensaiavam gritos de rebeliões. Hoje essas vozes reagem e colocam não só a piada em debate, mas a própria condição. Difícil fazer graça num país de melindrados, não? Pois se acostumem. Essas vozes vão ser ouvidas cada vez mais fortes.

O artigo acima foi publicado na Carta Capital e, na minha opinião, é um ótimo artigo (que vale a pena ler na íntegra). Bem, o "encaretamento" da sociedade (que para os humoristas é uma censura) nada mais é que a indignação do público que sofre preconceitos ganhando voz e força. Com certeza nos anos 80 tinham lá os indignados, mas o que fariam? Como iriam reagir contra o público dos humoristas e a mídia? Atualmente a "minoria" tem voz, meios de expressão e até mais acesso a "cultura" e isso os beneficiam pois podem se expressar. 

Será que antigamente existia um maior limite de liberdade de expressão ou será que antigamente a "minoria" não tinha meios de se expressar?!

Abraço.

Bruna Reis;  

(Fontes de pesquisas: Carta Capital, Debate do História Online (Xenofobia) e base em uma entrevista no De Frente com Gabi com Rafinha Bastos).

Nenhum comentário:

Postar um comentário